Por Carlos Alberto Di Franco
O homem diferencia-se do animal porque o seu comportamento não depende de instintos automáticos. Precisa do alicerce dos valores. E quando destrói esse alicerce, torna-se capaz de qualquer desvario e corre o risco iminente de afundar-se individual e coletivamente.
A moral - esse conjunto de valores que regem os atos humanos - não é, como querem crer alguns ideólogos da indústria cultural, um simples verniz que retoque as aparências do universo humano. Ao contrário, é a própria condição de sobrevivência do homem neste mundo. Por isso, torpedeados os valores, é todo um universo que desmorona. No plano individual, a pessoa transforma-se num marginal, desprovido de princípios e de rumo; mas não são só esses marginais, organizados em falanges para o que der e vier, que se deixam dirigir pela razão cínica; crescentemente, são todas as camadas sociais que assumem uma visão pragmática e negativa da vida, com a conseqüente generalização da corrupção, da irresponsabilidade e do caos.
Esta digressão é necessária para se entender o alcance social da virtude do pudor. Ao contrário do que afirmam alguns, não é mera questão de convencionalismos transitórios. Na verdade, esta é uma das virtudes que possui em grau mais alto a discreta eficácia de um alicerce. O menoscabo pelo pudor produziu, ao longo dos tempos, fissuras que acabaram implodindo civilizações inteiras.
Quando quisermos destruir uma nação, deveremos destruir a sua moral. Assim, ela cairá em nossas mãos como um fruto maduro. A receita de Lenin, carregada de cínico realismo, sintetiza a tática adotada por todos os sistemas de dominação humana. Uma sociedade narcotizada pelo erotismo é presa fácil dos interesses ideológicos, políticos e econômicos. A pornografia, estopim da violência, foi amplamente instrumentalizada pelos partidários de Hitler. As bandeiras da liberdade sexual e da abolição da censura moral, desfraldadas pelos partidos de inspiração gramsciana, têm propiciado excelentes dividendos políticos. E também a indústria pornográfica, livre do desconforto da clandestinidade, fatura em cima de uma ficção de liberdade.
A experiência cotidiana, contudo, confirma os estudos realizados no mundo inteiro acerca das conseqüências negativas do erotismo. Ninguém pode considerar-se imune aos efeitos degradantes da pornografia, ou a salvo da erosão dos valores causada por ela. A pornografia, aberta ou a camuflada, deprecia a sexualidade, perverte as relações humanas, explora os indivíduos - especialmente as mulheres, os jovens e as crianças -, destrói a vida familiar, inspira atitudes anti-sociais e debilita a fibra moral da sociedade.
A proteção dos valores morais, sem os quais a sociedade entra em desagregação, é um ato de legítima defesa social. Não há dúvida, portanto, de que o pudor é um bem que a lei deve resguardar, punindo as transgressões que o ofendem.
VALORIZEM-SE...




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